p.s.
Curitiba, novembro de 2025
Caro(a)(e) leitor(a)(e),
Meus pais se apaixonaram por cartas. Um mês depois de se conhecerem, minha mãe se mudou para a Austrália. E, em 1998, eles deixaram as primeiras grandes conversas de amor escritas em correspondências. Eu, em 2025, envio cartas para amigos, amores, familiares e pessoas queridas. Nesses processos, esse formato textual tem me instigado cada vez mais.
Existe uma coreografia no ato de trocar cartas. A escolha do papel, o empunhar a caneta ou lápis, a ida até o correio, o endereçamento de origem e destino. E, depois, a chegada da correspondência na caixa postal, a abertura do envelope, a leitura. São pequenos gestos que, em sequência, formam uma dança da comunicação, da vontade de falar por escrito.
Via de regra, a carta é um gênero textual que, entre tantas pessoalidades, se enquadra no âmbito privado. Toda palavra é escondida por um envelope. Em p.s., penso justamente em trazer ao público essa narrativa privada. Ler cartas como maneira de contar diferentes histórias. É uma leitura que acontece não de maneira expositiva ou exibicionista, mas de forma a compartilhar escritas de diferentes pessoas, em diferentes épocas do Brasil e do mundo.
Espero cartas de todos os tipos, de toda gente, de todo tempo. Cartas de término, de amor, de paixão, de ódio, de lavação de roupa suja, de viagem, de mudanças, de tristeza, de comédia, de luto ou de reconciliação. Tudo está valendo, desde que seja carta.
Cada episódio tem um ponto que costura as temáticas das cartas, em uma curadoria que conecta as histórias contadas :)
Poste cartas, troque-as, cole selos e leia textos em voz alta.
Um abraço / beijo / aperto de mãos / batidinha no ombro,
João Klimeck
P.S.: p.s. sai logo.
